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04/09/2014

O misterioso túnel

Existe um túnel enorme, escuro e misterioso nos nossos caminhos. Não gosto muito de observá-lo, pois ele amedronta todos, até aos animais que voam ou que rastejam pelo chão.
Quando a imagem deste túnel próximo à mim surge em minha mente, sinto um frio na barriga com a adrenalina correndo pelas veias e acredito em Deus por alguns segundos.

Observo que todos caminham lentamente em direção a este misterioso e enorme túnel - incluindo eu -  e sem poder parar. Eu observo as pessoas ao redor, e as coisas que dizem. 
Observo os momento de sucesso e de falência, e os momentos de felicidade e de tristeza ao meu redor. Observo a beleza de cada ser, e aproveito a ternura de cada momento único que se passa. 
Dou as mãos para aqueles que acompanham a caminhada comigo, e os abraço muitas vezes por que o futuro é desconhecido. 

Adquiro mais sabedoria a cada dia, pois todos os dias, eu me permito.
Me permito observar, me permito aprender e me permito viajar dentro da própria subjetividade dos meus pensamentos, por que viver é permitir-se. 

As pessoas que estão lá na frente, sempre dizem que queriam voltar para trás. As pessoas que estão lá atrás, não fazem ideia de como seja estar lá na frente. E tudo que eu faço é caminhar inconformada, olhando para as árvores e para o céu e imaginando como tudo isso é insano e difícil de aceitar.

Nunca mais vi ninguém que atravessou o túnel, mas tudo indica que eles perderam tudo o que tinham, fossem ricos ou pobres. Os amigos e pessoas queridas com quem se identificavam não puderam herdar quase nada material que era seu, mas tinham acesso a todo o conhecimento que lhes foi passado pelos que atravessaram o túnel, e foi lhes dada a missão de repassa-lo para os outros que estavam lá atrás.
O único presente que é eterno é o conhecimento, pois pode ser repassado para todas as próximas gerações, enquanto o resto facilmente é esquecido, vira lixo ou perde o valor. 

E tudo que eu sei  - e que tenho certeza - é de que um dia eu chegarei lá, e terei de dizer adeus ao mundo. Quando? Ninguém sabe, e nunca saberá. 


2 comentários:

  1. Que lindo, e é a mais pura verdade. Eu entendi isto como se fosse para ser a vida, e que o tal túnel é o caminho que percorremos, e sempre temos um certo medo das surpresas, por mais confiantes que possamos ser.
    Excelente!

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  2. Martina,

    Bem, desta vez saiu uma confissão algo pesada.

    Â primeira vista parece um absurdo a morte ser lembrada por alguém que ainda tem uma longa vida pela frente. Mas depois quando se lê que «O único presente que é eterno é o conhecimento...», ideia que compartilho, fica-se mais compreensivo.

    Confesso que gostei. Tens um talento que me surpreende.

    Se me fosse permitido, só modificaria o último parágrafo. Achei-o um pouco fatalista.

    O último parágrafo seria algo assim: «E tudo que eu sei - e que tenho certeza - é de que um dia eu chegarei lá, a esse túnel enorme, escuro e misterioso. Tenho esperança que o escuro se deixe iluminar á minha passagem e que a luz seja da côr das rosas, a minha côr preferida.»

    A minha côr preferida é o azul, para que se saiba.

    Abraços,

    P.S. Uma musica dedicada a uma menina que eu encontrei:

    https://www.youtube.com/watch?v=0R2nT0RBfPE&list=TLWQAfxfzUXBERWv2tIe_EB8HctttXTcoB

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Quem escreve?

Professora, tradutora e micro empresária da UP Língua Inglesa. Chama-se Martina Domingues, tem 23 anos e nasceu em Florianópolis - SC. Viajada, aventureira e blogueira nas horas vagas. Ama música, adora decorar a casa e também gosta muito de escrever. É na madrugada que ela geralmente vem aqui para escrever sobre qualquer coisa ou compartilhar o que acha pela internet com vocês.